ROBINSON, John J. Nascidos do sangue: Os segredos perdidos da Maçonaria. Tradução Julia Vidili. 3ª ed. - São Paulo: Madras, 2014. ISBN 978-85-370-0933-8
A obra referenciada tem como ponto de partida a análise da Revolta Camponesa ocorrida na Inglaterra em 1381. Esse movimento popular foi supostamente articulado por uma sociedade secreta com sede em Londres (seria a Maçonaria?).
Dentre os objetivos da revolta tem-se como prioridade a destruição dos Cavaleiros Hospitalários de São João. Essa ordem monástica foi a herdeira das propriedades pertencentes a Ordem dos Cavaleiros Templários que foi suprimida em 13 de outubro de 1307 por manobras do Rei Felipe IV (França) e do Papa Clemente V.
Esse e outros indícios levantados pelo autor revelam uma relação entre a Revolta Camponesa, a Maçonaria e os Cavaleiros Templários, dentre elas: a identidade obscura do líder da revolta camponesa, a prioridade no ataque e destruição da Ordem Hospitalária, as explicações do autor sobre as antigas obrigações e elementos ritualísticos da Maçonaria moderna e a ferrenha oposição da Igreja a Ordem Maçônica, principalmente pelas ideias de liberdade de crença e pensamento (que podem ser originária da queda dos templários).
Com relação a identidade do líder da Revolta Camponesa há registro de um obscuro Walt Tyler (esse é o título do Oficial Maçônico responsável pela segurança da Loja Maçônica - Guarda do Templo em português). Walt Tyler foi morto durante um encontro com o Rei da Inglaterra para apresentar os termos do movimento. A morte do líder foi fundamental para que as tropas reais restabelecessem o controle sobre a multidão de revoltados, obrigando-os a capitulação.
Outro ponto importante sobre essa revolta foi a prioridade de destruição da Ordem Hospitalária. Esse fato acabou por desencadear vários movimentos revoltosos que culminaram com atos de destruição contra as propriedades (principalmente, as dos Hospitalários) e execuções contra os "traidores do país", inclusive o prior da Ordem Hospitalária. Ressalta-se, a Ordem Hospitalária foi a principal herdeira das propriedades Templárias, o que a tornou muito poderosa, tanto que existe até os dias atuais (Ordem de Malta).
O autor disserta, ainda, em vários capítulos da obra sobre as antigas obrigações e elementos maçônicos. Conclui sobre a necessidade dos antigos maçons de ajuda mútua contra um perigo que pairava sobre as suas vidas e as suas propriedades. São obrigações que indicam pessoas em fugas ou com problemas com as autoridades, à época, a Igreja e o Estado. Nesse ponto, o autor afirma que a Maçonaria é originária dos Cavaleiros Templários que conseguiram fugir da perseguição da Igreja e dos Reis Europeus.
Com essas argumentações e outros pontos de relevância apresentados no decorrer dos 25 capítulos da obra vislumbra-se de forma clara que existem indícios históricos para a conclusão do autor, porém a origem da Maçonaria continua sendo o seu maior segredo, talvez perdido para sempre nas sombras do passado.
John J. Robinson (1918-1996) foi um escritor americano com especial interesse pela Grã-Bretanha Medieval e pelas Cruzadas. A obra não exige nenhum conhecimento esotérico ou filosófico sobre a Maçonaria para entendê-lo. Ao contrário, com uma linguagem simples e de fácil apreensão atende, perfeitamente, a demanda de leitores leigos e curiosos pelo tema. Uma obra escrita por um não maçom para qualquer público, construída por marcos históricos e uma pesquisa muito bem elaborada. Recomendo e boa leitura...
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