Rito Escocês Antigo e Aceito
A Maçonaria francesa tem uma origem escocesa. Nesse sentido, a sua história inicia com a iniciação do Rei James VI, da Escócia, em 1601 na Loja "Perth and Scone". Esse monarca escocês ascendeu ao trono da Inglaterra e Irlanda em 1603, assumindo o nome de Rei James I, da Inglaterra, iniciando a dinastia dos STUART. Uma revolução em 1715 põem fim a dinastia STUART e toda a corte inglesa se exila na França. Surge por intermédios desses nobres escoceses/ingleses a criação de Lojas Maçônicas na França no ano de 1725.
O desenvolvimento francês
Entre os anos de 1725 a 1750, a Maçonaria francesa desenvolve os graus maçônicos que formariam o Rito de Heredom (25 graus: 03 simbólicos e 22 altos graus). Em 1756 foi fundado o Conselho dos Cavaleiros do Oriente pelos burgueses. No ano seguinte foi fundado o Supremo Conselho dos Imperadores do Oriente e Ocidente pelos nobres.
A conclusão Norte-Americana.
Em 1764, o Rito de Heredom chega a New Orleans (na América do Norte), à época uma colônia francesa. Nesse passo, em 1767 esse rito chega aos EUA (New York - Albany). Nesse período, várias pessoas estavam autorizadas a conceder os altos graus, o que causou um grande conflito entre os Grandes Inspetores.
Havia criação descontrolada de diversos outros graus para atrair filiados. O que tornou uma verdadeira desorganização e conflito entre Lojas. Com intuito de organizar o Rito de Heredom surgem em 1801, os 11 cavalheiros de Charleston, modificando a nomenclatura para o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) e fundam o Supremo Conselho (SC), responsável pelos graus filosóficos (graus 4 ao 33). Seu lema deixa isso bem claro "ordem sob o caos".
Os graus adicionais
Durante a organização do REAA foram criados graus adicionais até os atuais 33 (Grau 23 ao 27; 29; 31 e 33).
O retorno a França.
O REAA inicia seu retorno ao solo francês com as modificações realizadas nos EUA com a chegada em 1795 do Conde de Grasse-Tilly (Francês) na cidade de Charleston, onde, entre 1802/03, é investido ao grau 33. Naquele ano segue para Porto Príncipe, onde funda o SC do REAA. Em 1806 acaba por retornar a seu país de origem levando seu conhecimento sobre o novo/antigo rito. Acaba por fundar em 1810 o SC REAA francês. Fundando, ainda, a Grande Loja do Rito Escocês Antigo e Aceito (GLREAA) da França e desenvolve os graus simbólicos. No ano seguinte, o Grande Oriente da França (GOdF) faz um acordo e incorpora a GLREAA.
Conflitos entre o GOdF e o Supremo Conselho
Os primeiros conflitos surgem por volta de 1815 com o rompimento do GOdF e SC. O principal motivo foi a intervenção da GOdF na administração dos graus filosóficos que eram exclusivos do SC. Por conta disso, o SC sem ter novos membros oriundos dos graus simbólicos (administrados pela GOdF) acabou por adormecer em 1819.
Em 1821, o SC acorda e abre Lojas Simbólicas para abastecer seus quadros a partir do 4 grau. Em resposta o GOdF proibi seus membros de ingressarem no SC, o que somente é revertido em 1841. Um novo rompimento ocorre em 1862, pois com a morte do Conde de Grasse-Tilly, os conflitos de reascendem. Em 1875 há uma nova reconciliação, porém no ano seguinte o Congresso de Lausanne denuncia o GOdF por conta da tentativa de renúncia ao teísmo.
Por conta disso, em 1877 o SC funda a Grande Loja (GL) da França (Graus Simbólicos) para, novamente, abastecer seus quadros sem a dependência do GOdF.
Por fim, em 1964 o SC rompe com o GLF e reconhece a Grande Loja Nacional da França (GLNF) (apoiada pela Grande Loja Unida da Inglaterra - GLUI), pondo fim as disputas internas.
Conclusões
A Maçonaria brasileira herdou da França seu modelo maçônico e seu rito mais praticado, mas não apenas isso. Herdou também seus problemas e conflitos como veremos em outros artigos.